Anos

2011. Mais um ano se inicia. Sempre tenho a sensação de que o ano que se foi poderia ter sido melhor. Sempre vejo como não aproveitei as oportunidades que tive de ser melhor. Acho que na verdade não foi só o ano que se foi que não foi bom, mas todos os anos de minha vida. Perdi muito tempo com coisas fúteis. Briguei muito e perdi muito. Apanhei. Chorei e sofri. Que ganhei com isso? Nada. Em 2010 perdi muitas batalhas. Meu pai faleceu. E eu não estava preparado para isso. Minha filha se casou. Eu também não me preparei para isso. O tempo está escorrendo pelos meus dedos. Estou ficando velho e sei que mais da metade de minha vida já se foi. Às vezes me pego pensando onde errei e onde continuo errando. Às vezes nada faz muito sentido. Fico imaginando e tentando descobrir em qual ponto de minha vida deixei de ser feliz. Em que ponto me tornei amargo. Em qual momento deixei de sentir e perceber as pequenas coisas da vida. Feliz 2011. Para mim é só mais uma frase feita. Sei que vai ser como 2010, 2009, 2008 e como todos os outros. Sei que preciso mudar 90% de minha vida para ser apenas um pouco melhor. Mas saber que se precisa mudar é uma coisa, conseguir mudar é outra coisa. O tempo, esse passa muito rápido e não podemos fazê-lo voltar. É nosso maior inimigo. A solidão tem sido minha companhia mesmo quando não estou sozinho. A dor e a tristeza apertam meu coração. A sensação de sufoco e a vontade de partir. É ruim. É muito ruim.

Talvez…..

 

 

Talvez seja mais fácil fugir dos problemas.
Mas eles sempre nos encontrarão.
Talvez seja mais simples jogar a culpa no destino.
Mas somos nós que o fazemos.
Então a culpa é sempre nossa.
Talvez seja tudo uma ilusão.
Mas uma ilusão real.
Enfim, talvez seja melhor viver.

Quem roubou meu sorriso?

Quem roubou meu sorriso?
Teria sido a sensação de fracasso?
Ou as batalhas perdidas?
A dor que não se vê?
Teria sido a busca incansável
de algo que eu nunca soube o que era?
Ou os dias que passaram rápidos demais?
Quem roubou meu sorriso?
A vida? A morte?
Ou será que nunca o tive?
Os dias são cinzas mesmo
quando o sol brilha.
As flores não tem brilho
As cores não tem cheiro.
Torço para o tempo voar.
Para da morte me aproximar.
Minutos, horas, dias a passar.
Sem sorriso, sem alegria…
Quem me roubou??
Dias a passar….
Só o nada a rondar.
Só o nada…
Só…..

Vai tarde

Lá se vai 2009.
Perdemos o Rei do Pop.
O Brasil ganhou as olimpíadas 2016 (grande coisa).
Enchentes assolaram o país. (acho que Deus deixou de ser brasileiro).
A corrupção esteve em alta, e o povo assisitindo a tudo, esperando o rapaz da pizza chegar.
Estados Unidos elege um presidente negro.
Manuel Zelaya se “instala” na embaixada brasileira, aliás passa Natal e ano novo “hospedado” lá por nossa conta.
A gripe suína, que nem ouvimos ninguém falar mais nada, acabou levando uma centena de pessoas pelo Brasil afora.
Ficamos às escuras no apagão que se estendeu por 18 estados.
Se foram também Clodovil, Celso Pitta, Patrick Swaize e outros mais.
Tivemos castelos à venda e dólares em cuecas e meias.
Atos secretos, bate boca no senado e outras corrupções que já estamos acostumados.
Nosso sábio líder da nação fala “merda” no discurso, só que desta vez usou literalmente a palavra.
Sem falar na violência que assola o país e que as autoridades (in)competentes nada fazerm.
E pra fechar o ano muita chuva e enchentes com vítimas fatais em vários locais do país.

Sinceramente não vejo o motivo para tanta festa e fogos.
Afinal é somente mais um ano que começa, com todos seus problemas que diga-se de passagem só aumenta a cada ano, como se a mãe terra estivesse devolvendo ao homem todo o mal que recebeu.

Meus dias foram de paz, não passei por nada dessas calamidades, além das políticas que afetam a população toda.
Mas não acho justo comemorar quando tantas pessoas passam a virada de ano chorando, seja a perda de entes queridos ou a perda dos lares.

A verdade é que vivemos em épocas de tecnologia sem comparação, mas vamos caminhando para um caos total.
Basta avaliarmos cada ano que passa.
Isso é bíblico.
Acreditem.

Mas apesar de tudo, feliz 2010.

Perdas

É incrível como as perdas fazem parte de nossa vida mas nunca nos acostumamos com elas.
Me lembro de quando eu era garoto, encontrei um pedaço de ladrilho e achei muito bonito.
Sua cor, textura, achava meio mágico.
Pode parecer insano, mas sentia isso.
Um belo dia, meu irmão acabou sem querer derrubando-o e ele virou cacos.
Não sei expressar em palavras os sentimentos da época, mas só posso dizer que doeu muito, chorei muito, derramei todas as lágrimas que podia.
Eu sabia que jamais teria meu ladrilho inteiro novamente, e ninguém, absolutamente ninguém poderia me trazer de volta.
Não podia voltar o tempo, era impossível.
Não sei por quantos dias fiquei triste com isso, talvez até hoje essa passagem tenha reflexos em mim.
Só sei que aprendi que a vida nos leva certas coisas que gostamos sem nos consultar, sem querer saber se vamos sofrer ou não.
Sei que pode parecer estranho usar a perda de uma coisa insignificante como um ladrilho, mas na vida de criança era importante, havia me apegado à ele.
Todos vamos perder algo um dia.
Todos perdemos. Faz parte da vida. Não dá para mudar.
Aprendemos a conviver com as perdas, mas não as aceitamos.
Simplesmente não temos outra escolha, outra opção.

É isso.

Estranha caminhada

Toda nossa vida nos procuramos

procuramos a coisa certa

os bons amigos, os lugares certos

nos preocupamos com as pessoas

com o que falam de nós

 todo dia nos achamos em cada rosto

no ontem que se foi

na flor que nem ouvimos

cada dia se vai e vem outro

novo, branco, imaculado

 todo fim do dia ele se vai

amassado, rabiscado, sujo

para o lixo que produzimos

lixo reciclável

pode ser recuperado

 a busca nunca cessa

até quando quem nos busca

nos encontra e nos leva

 pobres, ricos, brancos, negros

felizes e miseráveis

inteligentes ou imbecis

é nessa hora que nos encontramos

é só no fim que começamos

 e de novo a procura

a busca, o eterno

a vida que se esvai

e vai…

cada dia não é mais um

e sim menos um

na estranha caminhada.

 

 

pessoas

Por quê as pessoas deixam de existir ?

Não estou falando de deixar de exisitir fisicamente, mas sim de sumir, de mudar

o jeito de ser, de agir, de falar.

Isso acontece inconsciente, ninguém nunca percebe, só quem vive com a pessoa.

Percebi isso há muito tempo, era bem criança, adolescente eu acho.

Tinha um casal de primos, éramos muito amigos, fazíamos tudo juntos, eram mais novos

que eu.

Sempre dormia lá e vice versa.

Tínhamos nossas brincadeiras, estórias, zueiras……

Um dia se mudaram com a família para uma cidade vizinha.

Senti muita falta deles…

Em pouco tempo voltaram, e vieram na casa de uma tia deles,

iam ficar o fim de semana, a família toda.

Me convidaram para ir até lá também…..fiquei radiante,

tava com muita saudade, tinha muita

coisa pra conversar..

Mas quando me encontrei com eles, não eram mais eles, estavam diferentes, como se

alguma coisa, algo tivesse acontecido com eles,

não eram o casal de primos que eu tanto gostava…..

Não eram….me senti muito mal….chorei muito………mas nunca comentei com ninguém.

O tempo passou, crescemos, cada um segui sua vida, seu caminho……….Criamos família…….

Ainda me lembro deles, não dos novos, mas dos antigos primos que eu tinha.

Infelizmente, para meu desespero, vivenciei outras vezes esse tipo de coisa, pessoas que

deixam de existir….

E o pior da estória, eu continuei existindo, o mesmo eu,

que perdi meus primos, que perdi tantos amigos e amigas.

Isso é muito estranho, é tipo um Karma, as pessoas que amo

deixarem de existir, sempre

sei disso quando conheço alguém e me apego, e sempre tento falar isso

com a pessoa, mas nunca ninguém entende….

E com o passar do tempo, sempre acontece, e dói pra caramba.

Acho até que acostumei, às vezes acho que é hora de parar de cair de cabeças nas

minhas amizades, parar de me “apaixonar” assim…

As vezes acho que não vale a pena…

Mas depois, pensando bem e relembrando cada bom momento, cada bom sentimento,

cada sensação boa que me proporcionaram essas amizades …

agradeço por cada uma delas…

e entendo, na minha infinita ignorância, que esse é o grande desafio.

Aproveitar cada sentimento, e deixar que outros também se beneficiem com isso.

Cada minuto de vida vale a pena, cada segundo…

Estamos aqui para aprender, sofrer, viver, aprender, sorrir, e sofrer de novo ás vezes.

Mas mesmo assim, não posso impedir que as pessoas deixem de existir….

Mas na minha memória todas vivem, todas são as mesmas de sempre e sempre.